Ana Luzia Chaves Bar das Letras

VIP, eu sou, mas quem não é?

Very Important Person, a “elitizada” palavra VIP é a sigla (acrônimo) da expressão em inglês que significa “pessoa mais ou muito importante” e indo além, dentro do contexto atual, acrescenta-se: muito influente, muito elegante, com privilégios, celebridade, pessoa notável, indivíduo da classe A, pessoa no auge da fama, formador de opinião, alto executivo, etc. Por decorrência, passou-se a designar também como VIP, os ambientes luxuosos, de alto bom gosto, situações de acessos e poderes exclusivos, festas, ambientes, criando-se, de certa forma, um status, uma discriminação em função da situação financeira e/ou privilegiada dessa categoria de pessoas em relação às demais.

Nessa leitura, ser VIP requer um nível diferente de serviços e atenção em relação às outras, além do aspecto social referente ao status, o viés comercial é muito explorado, com vistas a lucros e destaque da empresa que oferece essa condição. Sala VIP, embarque VIP, cartão VIP, sessão VIP, loja VIP, restaurante VIP, horário VIP, etc., tudo é planejado para dar maior conforto e atenção àquelas consideradas como tal.

Mas, se for feita a leitura tomando o referencial de quem está lá, no contexto VIP, vê-se que essa condição foi conquistada, seja por méritos, por recursos financeiros disponíveis, por reconhecimento, ou pelo próprio berço, ou seja, condições essas merecidas. Dentre estas, algumas são duradouras e até permanentes, mas outras bem passageiras, o que causa sérios problemas para quem conquistou essa notoriedade, pois, lidar com essa perda, pode abalar as estruturas emocionais.

Mas, na, minha opinião, ser VIP é também, de vez em quando, ser comum, abandonar todas as regalias dispensadas e viver no conjunto da maioria, ser mais livre, menos comprometido, menos notado, mais privativo. Paparazzis, flashs e jornalistas devem incomodar muito, assim como se ver diante das outras pessoas em situação de maior conforto e destaque, sem que isso possa ser compartilhado com quem está ao seu redor, vendo, admirando e desejando estar naquela situação “abençoada”.

O termo também é usado de forma genérica e pejorativa, se for considerado o contexto original da expressão:

  • Meu atendimento hoje foi VIP!
  • Que platéia VIP!
  • Tenho aqui um lugarzinho VIP para você!
  • Vamos ter hoje uma sessão VIP!

Ser genérico, sem perder a individualidade e ser notado naturalmente pelo que se faz e se constrói é mais gratificante: prefiro ser VIP assim. VIP, eu sou, mas quem não é?

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