Bar das Letras Martiniano Bezerra Neto

Retirante

Palavra que expressa, rotula aqueles que abandonam sua terra em busca de melhores dias , via de regra fugindo as agruras da seca.

Sempre me senti de certo modo um retirante, embora levado pelos meus pais que um dia precisaram tomar tão penosa decisão, fui retirado do meu ambiente, da mesma forma que do convívio dos meus entes queridos, avós, tios, primos, do meu universo enfim.

Tudo ficou p’ra trás, levar o gado a beber água no lombo do velho “jeguim”, o canário, não podia esquecer as recomendações de fechar as porteiras.

Pescaria na Lagoa Comprida, me apoderava de um velho “quixó” avariado, (tinha uma tala a menos) abandonado na beira, ou no beiço da lagoa e com ele capturar um belo exemplar de traíra, não da p’ra esquecer.

As moagens, ah! As moagens, que beleza, os bois naquele girar constante, impulsionados pelos gritos (Azulão… ô Melado!) acionavam as moendas que trituravam a cana fazendo jorrar a garapa, ferver a garapa naqueles tachos até obter o mel, continuar o processo colocando o melaço nas formas, produzindo assim a rapadura, ver as mulheres envolver pedaços de cana com o mel e após esperar o tempo necessário para atingir o ponto exato, vê-las naquele puxa, puxa constante produzindo o alfinin, que beleza. Essas imagens me acompanham por toda a vida e me mantém ligado embora espiritualmente ao meu torrão.

As farinhadas, as debulhas (debúias) de feijão, acompanhadas pela leitura de um verso, (folheto) da literatura de cordel.

A escolinha da Tia Amélia, carta de ABC, taboada…festa de 7 de setembro, levado pela tia Amélia juntamente com meus coleguinhas , dos quais infelizmente não lembro os nomes, salvo dos primos que faziam parte do corpo discente de nossa escolinha, hastear a bandeira, cantar o Hino Nacional, numa grota a sombra de um belo arvoredo. Ah! Que lembranças, pelo menos isso, belas lembranças.

Martiniano Bezerra Neto

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