Bar das Letras Solange Di Lido

Quimera

Eu sempre quis fazer uma festa todo dia, e nela rever e abraçar todos aqueles que amo e que me são caríssimos.Descobri ser impossível logo aos oito anos. Havia arrumado a salinha pequena e pobre, colocado flores selvagens colhidas no terreno baldio ao lado num pequeno jarro de vidro e mudado as surradas poltronas de lugar.Havia colocado também a mesinha de cabeceira como mesa de centro e posto uma toalha saída de não onde.Varri a sala com alegria, cantarolando ao som das batidinhas do meu minúsculo coração exaltado.Esperei visitas não convidadas, num meio sonho acordado em que vivia uma vida cheinha de gentes, indo e vindo, falando, bailando.Não houve a festa.Não vieram nem menos as visitas.Cresci enjoando as pessoas e enjoando-as igualmente, separando as que eram estátuas e as que eram borboletas e peões.Assim nasceu o Donna. Um lugar mágico, cuja magia vem das orquídeas e dos sonhos.Um lugar para receber alegres visitas falantes e autenticas.Para se bailar ao som das minhas músicas lindas e tocantes.Onde todas se conhecem e se amam, se respeitam e discordam entre si.A sala não é mais a mesma. É grande com enormes janelas envidraçadas e arqueadas com cortinas brancas.É decorada com antiguidades e plantas.As poltronas são antigas e trazidas da herança italiana, enfeitadas com almofadas feitas com esmero pelas mulheres alencarinas.As toalhas são variadas em suas belezes e seus feitios, variando do crochê á rendinha vienense.O ar é perfeito!As convidadas são perfeitas!O Cais Bar Donna é perfeito!E os meus sentimentos são exatamente os mesmos de quarenta e quatro anos atrás…

Solange Narciso Medeiros Di Liddo

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