Bar das Letras Dejoces Baptista Júnior

Palmatória

Cora Coralina entrou na sala dos professores nervosa, angustiada, quase chorando.
– O que houve? Disse Drummond enquanto servia-lhe água.

– Os danados não me respeitam, não consigo dar aula.

Isaac Newton aproveitou para soltar os cachorros:

– Roubaram a minha caneta. Eu vi. Reclamei, ameaçaram me pegar. Quase perco as estribeiras. Só essa semana levaram um computador da sala de multimídia e até o celular da Dona Dilma, a merendeira.

– Falta um mês para eu me aposentar. Desabafa Drummond, sentindo-se impotente.
Professor Arak não deixa por menos:

– Matricular esses marginalizados é, sim, uma ação contra a criminalidade. A merda, é que a escola não foi capacitada para receber esses vadios. Trêmula, Cora Coralina sussurra:

– Não aguento mais! Vivo apavorada, tenho medo deles me machucarem.

Irado, Isaac Newton, descarrega:

– Passei no concurso da Polícia Rodoviária. Assim que assumir, largo essa merda.
Prestes a se aposentar, Professora Clara Machado finaliza:

– Antigamente evasão escolar era próprio do corpo discente. Hoje, somos nós, que para sobrevivermos, abandonamos o Magistério.

O apito grave e longo da sirene avisa o término do recreio. Na sala dos professores, os mestres permanecem relutantes.

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