Bar das Letras Martiniano Bezerra Neto

O Retirante Volta Mais uma Vez ao Velho Mundo

Tenho me valido dessa figura do retirante para falar coisas e fatos que vivi sempre falando na terceira pessoa por julgar que poderia parecer pernóstico, boçal a um sertanejo véi , nascido nos cafundós do nosso sertão se meter  a besta e falar de viagens internacionais, Portugal, Espanha, França, etc. etc.

Não foram poucas as nossas incursões ao velho  mundo, afinal casei com uma saloia, matuta na versão portuguesa de falar,  por conta disso temos visitado países Europa a fora que não acredito mereça apenas enumerar, até mesmo porque na minha opinião, que não vale muito, pela minha identidade com aquela gente, pela minha proximidade, pelas minhas amizades e convivência    no âmbito familiar, o que mais conta não apenas para mim, mas também para os meus é permanecer em Portugal , é viver aquela terra, é conviver com aquela gente e desfrutar seus sabores, é curtir seus hábitos, seus costumes, perceber a cada dia a identidade do que falam comparado com o que falamos, o nome que dão as coisas com os nomes que falamos sertão afora.

Dessa vez foi uma perfeita invasão, além da minha mulher e eu, invadimos o velho continente, minha mulher, eu, meus três filhos, acompanhados de suas respectivas esposas e filhos, meus netinhos além de alguns amigos. Na verdade antes de nossa partida, enviei-lhes uma mensagem falando da invasão e alertando-os quanto a possibilidade de fugir de se livrarem da invasão eminente.

Como sempre foi maravilhoso, perfeito, não fora o incidente desagradável do Fabio meu filho , ter sido acometido de um mal estar, mais tarde diagnosticado como uma malária,que lhe rendeu 5 dias de internação.

Conviver com os tios, primos, amigos, tomar uns tragos nas tascas ruidosas pelo vociferar dos portugueses entusiasmados, comentando a crise que se abateu sobre o país, os desmandos do governo, coisas que conhecemos tão bem…

Dureza foi constatar a força da ação dos tempos e a sua influencia na fragilidade a que vi acometido o meu velho tio e ídolo, carecendo da permissão dos filhos para tomar um ou outro copo de vinho. Como eles  mesmo falam, caralho… Meu velho companheiro de tantas garrafas, ainda assim, juntos fizemos várias incursões a capela, velha tasca assim por mim  apelidada nas proximidades de sua casa em Queluz, ali compartilhando de uma garrafinha com nossos antigos parceiros de encontros mais agradáveis, hoje todos de idade e sempre a falar que numa próxima viagem já não os terei como companhia, coisa própria de velhotes portugueses. Fiquei pensativo… Hoje aos meus 65 anos.

Fizemos uma breve viagem a Ilha da Madeira, lindo… Foram 4 dias vividos intensamente, alugamos um carro no aeroporto e já saímos a desbravar tudo, sòmente indo para o hotel no final da tarde, o que se repetiu a cada dia. Vimos tudo e recomendamos, vale a pena, para uma próxima ficam os açores.

 

Martiniano Bezerra Neto

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