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O Poder do Meu Senhor e a Fé Imaculada

A cor do meu sangue herdou o meu reinado e este é infinito e incorruptível diante das adversidades e das tentações oferecidas pelos falsos profetas. Tenho por soberano Aquele que o É, desde os primeiros tempos. Nenhuma ventania de vaidades profanas e medíocres o derrubará do seu alto poder e nenhuma gargalhada zombeteira o fará esquecido! A túnica permanecerá branca, seja qual for a ordem do dia. Não haverá discórdia e nem burburinhos infecundos na Tabajaras. Nem muitos menos os romeiros de fingida fé conseguirão romper o fio de ouro que nos protege do futuro incerto e propagado nas aguazinhas do córrego podre, que insiste em nos abastecer dia a dia. Sei de mim e permanecerei altiva nos alpendres, à sombra da quietude, a polir as armaduras dos nossos guerreiros afaimados por glória e a cerzir seus uniformes surrados e valentes. Não permitirei que os sorrisos sejam calados e nem que as cartas de amor retornem por ausência de destinatários. Eu os tenho e jamais os abandonarei porque o meu Senhor me os deu em minhas mãos ásperas e sujas de terra. Às minhas vestes serão postas lavandas e os meus cabelos serão torcidos em tranças reais, e após o trajeto sofrido nas pedras do lugar, eu serei finalmente sua serva. As cozinhas foram polidas. O café foi torrado. O vinho foi servido. E a ordem das coisas permanecerá intacta e indissolúvel como a fé.

Solange Narciso Medeiros Di Liddo 08-05-2011

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