Bar das Letras Dejoces Baptista Júnior

Naghol Divino

Mal terminou de ler o jornal na sentina Professor Arak foi acometido por uma dor no peito. Desde que Borges, um tejo a quem se afeiçoara, desapareceu encantado por uma alucinógena camaleoa, Arak passou a aliviar as dores do mundo que o afligia, conversando com a imagem duma criatura crucificada a mais de dois mil anos e pendurada na parede da cozinha sabe lá a quanto tempo.

Baseado na sétima cerveja no preparo duma tainha capturada de tarrafa no Caça/Pesca, Arak começa mais uma discussão com o Crucificado: – Eu sei que se depender do papa aos noviços e dos pastores aos catecúmenos continuaras pregado por toda eternidade. Mas, se de vez em quando você soltasse de bungee jumping e desse um sabacu nos pastores mercenários, nos padres pedófilos e nos filhos de seiscentas putas de Brasília, as coisas certamente iriam melhorar. E têm mais, nem vêm com aquele papo da Serpente (“Sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.”) que não cola e fim de papo.

Paramentado com chinela de rabicho, óculos escuros e um colar dos índios Tupinambás, Arak se manda para o Butikim Supremo ruminando a conversa teve com o Crucificado convicto que detestaria ser uma entidade.

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