Merasmo e Lembranças

Hoje dia calmo e quente.
Lá fora um pássaro gorjeia empoleirado no ipê na frente da minha janela.
Ipê inerte, pois sequer uma folha acena sem o sopro amigo do vento fugido.
Esta cena me transporta aos sertões de minha infância: Sítio Nirvana e Fazenda Bonlugar.
Dois lugares em uma só infância. Próximos na distância e no que os próprios nomes sugerem.
Ali, cheiro de mato, terra molhada, mufunbo, marmeleiros e pouca brisa.
Os anuns, pretos e brancos, choravam seus gritos. Tetéus anunciavam vizinhos inoportunos.
O arrulho das rolinhas, som doce que trás saudade.
Banho no riacho, no açude e nos tanques dos sítios vizinhos, amenizava o mormaço.
Ah! Volto e minha janela, meu ipê e o pássaro ainda estão inertes, enquanto em minha cabeça lembranças.
Doces lembranças no frenesi da minha memória.

Dennis Vasconcelos
Maringá-PR – 18/3/2011

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QUEM ESCREVE

ALTINO FARIAS

Brasileiro, 57 anos, curto carros antigos, boa música, praia e encontros com amigos para “bebemorar” a vida. Discutir e expressar ideias são grandes prazeres, e a escrita tem o dom de dar forma permanente ao que se pensa.

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