Bar das Letras Solange Di Lido

Maleitas, mazelas e chiliques hipocondricos?

Hoje cedo encontrei uma amiga de velhos tempos. Ela é uma pessoa carinhosa, simpática e doce. Mas todas as vezes em que a encontro, ela geme. Não por mim, credo! Mas por tudo. Porque a unha tá um pouco encravada, em um dia, no outro porque despertou cedo demais e agora está “arrasada” (este é o termo preferido dela), porque comeu um bife no jantar e “com certeza ele causou uma enorme indigestão que vai arrasá-la por dois dias”, porque sentou de mal jeito no carro e quase quebrou cinco costelas. E por aí vai. É uma cordilheira de mazelas. Todas as vezes. Não há um dia sequer em que ela esteja realmente bem. Tudo bem explicadinho. Aí não aguentei mais. Disse que era uma preocupação minha estas doencinhas dela diárias, que achava ela uma hipocondríaca de marca maior! Ela respondeu que a diferença entre ela e os hipocondríacos era que sentia realmente as dores e eles não. Ingnorância! Sentem sim. E bem pesado. A diferença, disse eu, é ela estava parecendo aquelas pessoas que estavam sempre mal e isso era prejudicial para seus relacionamentos, tanto no trabalho quanto pessoal. Notei que ela não se sentiu muito à vontade para entrar neste campo, mas continuei dizendo que normalmente as pessoas se afastam ou evitam gente que vive se queixando disso e daquilo. Experiência minha, falei. Há três anos meu marido, diante de uma gemidinha besta porque meu cabelo prendeu na fivela e eu exageradamente quase berrei, ele me olhou e disse: vamos começar com a choradeira diária? Fiquei vexada imediatamente. Sabe quando você se sente pega no flagrante por está fazendo algo errado? Foi esta a sensação. Sabe quando você sente que tem exagerado nos últimos anos e de repente alguém cansou? Exatamente isso. Depois disso fui diminuindo meus berrinhos e deixando os gemidos para a horas certas e até que tenho me sentido melhor! Parece que quando a gente reclama, sente tudo em dobro do que realmente é. Ela riu e disse que havia também o problema da falta de disposição para tudo, o cansaço geral e que algumas pessoas tem disposição para trabalhar muito e outras não. Eu discordei na hora e respondi que pensava assim quando era mais nova. Era a minha desculpa para mim mesma quando eu não queria fazer algo novo ou desafiante. Existe sim uma diferença entre disposição e necessidade. Se você precisa, faz. Se não, desanima. É só uma questão de trabalhar bem a cabeça. Ela riu novamente e disse que iria ter uma conversa muito séria com ela mesma mais tarde sobre isso! Adorei!

Solange Narciso Medeiros Di Liddo

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