Bar das Letras Dejoces Baptista Júnior

Madrasta

Para não estragar, a Madrasta comeu o pedaço de Luís Felipe há muito esquecido no guarda-roupa. Intoxicada, de viva passou a morta.

Sóbrio, Arak adentrou no seu claustro, no Tibete, carregando a velha baixela; a única coisa que fez questão de receber do espólio da Madrasta. Sem tirar da cabeça a lembrança da comida servida em pratos de plástico enquanto os de ágata permaneciam inúteis na cristaleira, Arak abre uma Nêga Fulô e bota Melodia para tocar na radiola. Ressentido, a cada dose da cachaça, Arak rebola no mato uma das peças da embalsamada baixela.

Vencido pelo álcool, capota no seu catre. Acordou ressabiado e procurou alívio na sentina. Asseado, Arak resolveu fazer da terrina que escapou incólume ao furor da Nêga Fulô e Melodia, uma oferenda para Iemanjá.

Inebriado de tanta maresia, Arak pula da Ponte Metálica, atracado com a terrina, rogando aos Orixás que encaminhassem a alma da Madrasta para os Quintos dos Infernos.

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