Bar das Letras Martiniano Bezerra Neto

Felicidade

Não, não vou agora dissertar nem fazer maiores comentários sobre a música de Martinho da Vila parte de seu primeiro LP, salvo engano, mero acaso que os dois fatos tenham ocorrido mais ou menos  na mesma ocasião 1968.

O retirante, menino véi oriundo do sertão cearense, trazido pelos pais em tenra idade (nos seus 8 anos de vida), após epopéia marcante na luta pela sobrevivência, tudo realizando no afã de ajudar seus pais na sua própria e na criação dos seus irmãos, fez de tudo, vendeu verdura com uma bacia sobre a cabeça, vendeu cascalho “chegadinho” carregando aquele latão às costas, caprichando sempre no toque  ou na batida do triângulo, o que o fazia alçar vôos imaginários, ao nordeste, ao Ceará , ao baião.

Mesmo cansado, ao final do dia ia para a escola, alguma coisa o fazia entender ser aquele o caminho a trilhar para atingir os seus objetivos, por mais longe que estivessem, e por mais difíceis que fosse atingi-los.

Em 1968, já com 22 anos, prestou vestibular para a Faculdade de Ciências Econômicas do Estado do Amazonas, curso de Ciências Contábeis , logrando aprovação. Naquela época, as provas eram corrigidas no mesmo dia e só se fazia a prova seguinte se tivesse passado na prova anterior, (todas eram eliminatórias) era uma  sexta-feira à noite. Última prova,  INGLES, e os professores decidiram corrigir as provas para dar o resultado naquele mesmo dia. A certa  altura, alguém que depois ficou-se sabendo tratar-se de algum membro do  Diretório Acadêmico, espalhou a notícia de que já havia 8 candidatos reprovados, maldade, tristeza geral, todo mundo sentou na calçada, cabeça baixa, quando três baldes d’água fria foram arremessados pela janela, ensopando a todos e restabelecendo a alegria e as comemorações.

Que comemoração.

Um dos colegas havia organizado uma festinha em sua casa, muito em voga naquela época, chamava-se “brincadeira”, salvo engano, alguma coisa como acontecia em Fortaleza e que se dava o nome de “ tertúlia,” Um sonzinho de uma ELETROLA, umas batidas, preparadas geralmente pelas meninas que a gente tomava para se liberar.

Chegando a festinha, logo na entrada nosso herói se depara com uma menina que lhe despertou a atenção e pensou consigo mesmo, vai ser aquela, aproximou-se, começaram a conversar e logo ficou sabendo tratar-se de uma portuguesinha que apesar de já ser residente na cidade acabara de chegar da terrinha em viagem de férias, foi fatal.

 

Martiniano Bezerra Neto

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