Bar das Letras Solange Di Lido

Donnas

Eu poderia tentar descrever o meu coração e lhes falaria de tamanho e cores. Poderia descrever meus olhos e também me limitaria ao formato e expressão. Poderia ainda tentar lhes dizer da facilidade que tenho para dormir e da dificuldade que tenho para acordar. Poderia lhes incomodar narrando um dia normal de trabalho ou um dia… rotineiro em casa a mexer aqui e ali.
Mas, para lhes falar como é reunir um grupo de pessoas, ah! isso eu não sei… Não sei lhes dizer dos milhões de sentimentos que recebo em forma de pontos, interrogações, exclamações!
Não sei lhes contar das minhas emoções quando vislumbro um choro, um riso ou uma gargalhada…
Não sei lhes demonstrar minha gratidão quando lhes vejo apressadas em me defender dos equívocos e dos enganos.
Não sei lhes abraçar quando não estou on line durante um momento frágil de vocês…
Donnas, ter nas mãos todos estes rostos lindos, ter nas mãos todos estes corações vermelhos, quentes e palpitantes, é unicamente uma emoção incrível.
Mas não sei lidar com as saídas à francesa, não sei iluminar meu sorriso com as saídas sem choro, as saídas mudas… Não sei…Não sei…
Não sei lidar mais com a ausência do humor de uma, a ausência da perda do amor de outra, a ausência da perspicácia de mais uma …. Não sei…
Não sei lidar com as preferências políticas de algumas, nem a passividade elegante de outras….
Não sei…
Estou como uma velha senhora… Uma senhora velha, grisalha e cansada, sentada num cadeirinha de balanço vendo as filhas viverem.
Não quero perder nenhuma delas, não quero vê-las indo embora…
Estou como uma senhora velha a observar as filhas em casa e não poder segurar nenhuma nos braços porque meus braços não as alcança…
Perdoem-me a fragilidade do momento. Estou em limites de sentimentos pela saída de uma Donna, de forma inexplicável, dolorosa e inaceitável..
Estou sentindo um cansaço sem fim… um cansaço por não suportar os silêncios, os motivos, as dores…
Mas, sou uma Donna e sendo uma, conseguirei mais tarde fazer meu batom sorrir e meus olhos voltarem a brilhar.
Enquanto isso, deixem-me vagar a esmo pelas salas desta casa, a ouvir os sons dos risos daquela que se foi…”

Solange Narciso Medeiros Di Liddo

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