Adriano Pequeno Bar das Letras

Cheguei de Olinda

Apesar da crítica de uns, e espanto de outros, mais uma vez me mandei para a Olinda momina. E lá se vão 14 carnavais naquela cidade dona de 7 ladeiras.

Não cobro de ninguém gostar daquela “mistura colorida da massa”, no dizer de Alceu Valença. Afinal, à primeira vista, não parece nada saudável deslocar-se 800 quilômetros para se meter anonimamente numa multidão, sob o calor pernambucano, ou sob torrencial chuva, muito comum na Zona da Mata nordestina nessa época do ano.

Mas há, sim, um fascínio indizível nessa tresloucada aventura. Ao percorrer as estreitas ruas coloniais, com suas casas e sobrados seculares, percebo um certo culto aos ancestrais, vivendo lado a lado com a irreverência própria do carnaval, que em Pernambuco mantém-se afastado da suntuosidade das escolas de samba cariocas e paulistas, bem como da “ofegante epidemia” da irmã Bahia, com seu axé estridente, ou mesmo do glamour dos bailes em clubes sociais Brasil afora.

Em Olinda canta-se frevos e hinos carnavalescos consagrados, ao som de pequenas orquestras semi-profissionais, muitas vezes bancadas por grupos de amigos cotizados, ou mesmo por verba pública municipal, que se deslocam aleatoriamente pelas vielas e ladeiras escorregadias, arrastando pequenas multidões que por acaso as encontrem.

Tudo isso sem necessidade de aquisição de uniformes, de cordões de isolamento ou exclusividade na aquisição do combustível etílico. É a prova de que o caos também tem seus dias de perfeição.

Violência? Nunca vi. Excessos? Fora um ou outro desavisado, que pensando que cachaça é água, passa dos limites e acaba por dar trabalho aos amigos, também não são comuns. Apelo sexual? Não é esse o forte em Olinda. Superabundam ali a alegria, o humor, a criatividade, a  

infantil irreverência.

Famílias inteiras vagueiam pelas ruas, desde o velho patriarca até o mais novo rebento, muitas vezes trajando a mesma fantasia, e entoando antigas canções, aparentemente tão batidas, mas que se revestem de brilho a cada ano que passa.   

Alto da Sé, Quatro Cantos, Ladeira da Misericórdia, Rua do Bonfim, Largo do Amparo, Praça São Pedro, Varadouro…que nostálgicos nomes soam para quem ama aquela alegria popular, tão pura quanto cultural.

Não é à toa que sempre me emociono quando, de tardinha, descendo ou subindo uma de suas ladeiras, a multidão canta em uníssono um hino de amor à bela cidadela:

Olinda, esse meu canto, foi inspirado, e em teu louvor

Entre confetes e serpentinas venho te oferecer

com alegria, o meu amor

Olinda, quero cantar, a ti, essa canção

Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar

Faz vibrar meu coração, de amor, a sonhar

Minha Olinda sem igual,

Salve o teu carnaval!

Até 2012, minha amante querida!!

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