Bar das Letras Solange Di Lido

Cais Bar, Buraco Negro e Macagaios

Contarei para vocês o que é o Buraco Negro para mim, a exemplo do amigo Adriano, O Imperador, que nos presenteou no passado não tão distante com seu belo conceito.
Então.
Após ler o texto do notável Guanaes, lembrei do Buraco. Imediatamente. Senti que nós somos, ali naquele momento sagrado, grandes empresários de nós mesmos, porque naquele momento sagrado estamos trabalhando para nosso bel viver. Creiam.
Estar no Buraco na sexta à noitinha é um deleite que nem todos têm porque somos os únicos indecentes do mundo a sermos indecentes em público. Não temos medo de nada nem de ninguém. Talvez da AMC que nos ronda o quarteirão, ao invés daqueles outros, nos espiando para nos pegar no flagra tanto no estacionar quanto no beber.
Estamos naquela mesa a falar de nós, dos outros, dos presentes e dos ausentes, sem pudor e sem vergonha. Dos risos, das lágrimas, (estas deverão ser sempre rápidas!), do humor, da tragédia (também velozes!), dos casos, dos ocasos e dos acasos.
Sem cerimônia iniciamos há algum tempo, no antigo e sem exagero memorável, saudoso e inesquecível Cais Bar, um colóquio particular que não enobrece o vocabulário, mas nos faz arregalar a boca de tanto rir, faz os ouvintes e transeuntes se perguntarem que esculhambação é esta?!? e melhor que tudo, faz desentupir nossas coronárias carregadas de crises rotineiras, gorduras de pasteizinhos, estresses de trabalho, caldos de feijão preto, questões financeiras, macaxeiras, spaghetti à carbonara, picanhas, lingüiças, alcatras e cerveja, muita cerveja.
Enfim, ali só não somos inteiros porque a vida não é feita só de despudor, piadas e drinques, sabemos.
Como também não é feita só de trabalho e sucesso, não sabem todos.
Daí, ao ler Guanaes, lembrei de nós, que estamos fadados a sermos imorais às sextas, mas maravilhosamente sem nenhum enfado nos outros dias.
Não discordo do texto do Guanaes, apenas complemento dizendo que nossa vida, esta de todo dia, aquela que tanto tentam imortalizar alguns, aquela que tanto tentam ornamentar de ouro outros, aquela que tanto tentam tê-la simplesmente, muitos, esta nossa vida dada graciosamente por Deus, pode ser vivida como quisermos mas, seria bom dedicarmos pequenas (ou grandes, quem sabe?) porções de esmero e cores a tudo que temos.
De fato, sendo comuns, temos aquilo que a maioria precisa para viver mas, perguntarão, onde estão a ambição, a busca pelo sucesso, a satisfação profissional, etc, etc, etc, etc, etc?
Responderei: na medida de cada um. Isso mesmo, cada um de nós temos nossas medidas e nossos limites. Nossas fomes e nossos anseios. Todos do nosso tamanho. O tamanho do meu bem estar pode ser maior ou menor do que do meu colega Macagaio (sabe-se ser esta nossa nomenclatura oficial), a ambição do outro pode mais desmedida do que a minha, a riqueza interior de cada um tem sua preciosidade e valor, e por aí vai.
Importa a medida. Importa o cuidado que você tem com o que compõe sua medida. Temos família, trabalho, amigos, lazer, problemas, amores e aí, cabe a nós dedicarmos nosso amor e tempo a cada um, na nossa medida. Não adianta olhar para o vizinho e tentar aplicar a medida dele na nossa vida. Não cabe e não entra. Portanto, o sucesso do outro é da medida dele como o meu fracasso depende da minha medição errada!
Alcançar metas cinematográficas não significa exatamente felicidade. Diminuir ambições tecidas desde a infância pelos meus pais no meu cérebro pode ser exatamente a minha felicidade!
Enfim, descobrir as medidas justas é o ideal.
Posso ser louca, mas tenho juízo na medida certa para mim!

Sol Di Liddo
30 de janeiro de 2009.

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