Bar das Letras Cristiane Nalin Vasconcelos

Bom Lugar – Versão Paranaense

Menina criada em meio de primas e primos, sendo a mais velha deles, paparicada pelos tios e avós e com uma infância invejável. Subir em árvores, nadar nos rios e pescar lambaris com a peneira e ainda comer melancia quebrada nos tocos que ficavam no meio das plantações de café… Ah aquele cheiro da flor do café… Algo realmente inexplicável, que nem mesmo Dior conseguiu transformar em seus lindos frascos de perfume. Quando amadurecidos os grãos, vermelhos como o sol era muita brincadeira, aquele grão docinho com gosto de infância. Depois vinha a colheita, centenas de colonos trabalhando jogando o preciso café para cima com suas peneiras sujas com o tempo. Lenços amarrados na cabeça e por cima o velho chapéu de palha. O terreirão cheio dos grãos que eram virados com um rastelo de tempo em tempo para secar ao sol. Enfim, chegava o tão esperado dia, a festa da colheita.

Sanfoneiros e violeiros faziam o baile e a carne assada em espetos de bambus, churrasqueiras feitas de tijolos no chão, bebidas sendo gelado dentro de caixas d’ água, pão com carne moída e galinhas caipiras feitas ao molho pardo. Na fazendo do vovô tinha uma colônia de empregados, a maioria era nordestino que cantavam na colheita e na festa, lembranças que trago até hoje na minha memória.

Hoje com quarenta anos de idade e casada com um nordestino, homem maravilhoso, homem da minha vida consegui entender o que é o Bom Lugar para ele. Muitas e muitas vezes fomos ao maravilhoso Bom Lugar, banho no dreno, dormir no alpendre da casa do Zé Melado, chocalhos das cabras… e histórias contadas ao anoitecer.

É Bom Lugar… A única diferença que você tem do Sítio Cristo Rei é que você fica no Icó – CE e o nosso sítio em Atalaia – PR. Contudo, temos a mesma vontade de tê-los de volta e quem sabe ali voltar a ser criança. Cada um com sua particularidade, aqui não têm o cheiro maravilhoso do Juremal, da Oiticica nem o chocalho das cabras e aí não tens o cheiro das flores do cafezal, mas estamos unidos pelo mesmo amor, o amor da simplicidade das pequenas coisas.

Enfim, acredito hoje que sou um pouco nordestina, como meu marido é um pouco paranaense.

Aprendi a amar o Bom Lugar e quero ver meu filho e netos tomando banho no dreno, pegando pedrinhas que hoje sou viciada em trazê-las para minha casa e fico relembrando de cada momento, de cada pedacinho que deixamos aí.

Tomar uma cervejinha no bar do Jorge esperando o vento do Aracati, ô coisa boa… Não tem preço, com certeza não tem preço.

Hoje com certeza eu posso afirmar que você Bom Lugar faz parte da minha vida.      

Cristiane Vasconcelos

Mgá 06/08/2011

 

Você Também Pode Gostar

Sem Comentários

    Deixe uma Resposta