Bar das Letras Solange Di Lido

Bom dia, Tristeza!

Adormeceu sem pensar na Tristeza que, cabreira e de uma beleza glacial, a cercava há dias, dormindo não o sono igual mas o sono de que fotografa do alto de uma roda gigante.
Esquecida e distraídamete, não permitiu que o batom nos seus lábios a alegrasse e seguiu a vida, tentando ser indiferente às vicissitudes tao presentes.
Ouviu um estalido seco, como um galho se partindo sob os pés de um duende num bosque encantado e percebeu a Tristeza a observá-la através da porta de vidro dos seus olhos.
No primeiro instante, negou para si mesma.
No segundo, encheu-se de uma vitalidade só encontrada nas noviças e gritou, altiva:

Entre!
Sente-se aqui, bem perto de mim e à minha frente! Quero ve-la, querida!
Quero saber queal a cor dos seus olhos, quero sentir estas mãos que querem me abraçar!

E ficou ali, a tagarelar com a Tristeza, abrindo gavetas e lendo cartas abandonadas, a revirar os pequeninos baús cheinhos de estórias de candura e de dor.
Chorou sentimentos antigos e riu alegrias do presente.

À Tristeza deu suas vestes mais sedosas, beberam vinho doce, e dançaram como as deusas da antiguidade.
Depois, embriagadas de verdades tintas, abraçaram-se, despendindo-se.

Não para sempre…

Sol Di Liddo
24/05/2011

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