Bar das Letras Romeu Duarte

BAIXA GASTRONOMIA – Pra Encher o Bucho!

O enjoado healthy way of life está em todos os lugares, perturbando a vida das pessoas que não abrem mão do prazer. Na seara gastronômica, os patrulheiros da saúde imperam, deitando falação contra o que consideram maus hábitos alimentares e perseguindo sem dó nem piedade seus cultores. Costumo dizer que há uma diferença entre se alimentar e comer. O primeiro verbo diz respeito a quem gosta de freqüentar spas, academias e farmácias e o segundo cala fundo a quem elege o paladar como item de fundamental importância na existência. Faço todo esse preâmbulo para falar de um dos mais mal afamados e injustiçados manjares de nossa cozinha, a buchada. Feita com os miúdos de carneiro ou bode, é iguaria de delícia franca, pois gordurosa em sua natureza de comida bruta, não se prestando para o deleite de organismos delicados ou demasiado sensíveis. Como saber e fazer cultural, é algo ameaçado de extinção por não caber no afetado e sensaborão figurino fitness em voga. Ah, como me apraz ver chegar à mesa aquelas duas bolas fumegantes, mergulhadas em espesso caldo, e revestidas com uma pele à la design honeycomb… A cama de cuscuz já está feita no prato, devidamente perfumada com pimenta forte. Põe-se a primeira esfera sobre o leito de milho pisado, regando-a com o molho suculento. Faca e garfo nas mãos, faz-se a primeira incisão na pelota e dela sobe um vapor que nos atiça a fome em todas as suas vertentes. O kit cerveja/cachaça já está a postos ao lado. Detalhe: a aguardente terá que ser de alta octanagem em razão do unto do acepipe. Indico a Claudionor, canjibrina forte (48% Gay-Lussac), de gosto de caldo de cana, aroma de engenho e que não decepciona. Entre as de carneiro e as de bode, prefiro as primeiras por mais confiáveis, apesar de ter degustado uma caprina, certa feita em Icó, que estava de lamber. Portanto, deixem de besteira e viva o colesterol!

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