Bar das Letras Romeu Duarte

BAIXA GASTRONOMIA – PIABINHA FRITA

Deveria haver uma lei que fizesse da piaba frita o tira-gosto oficial dos bares de Fortaleza. Nos mercados de peixe, o produto abunda e com preço ao alcance das bolsas populares. Mesmo assim, é difícil encontrar um botequim nesta Loura Embriagada do Sol que ofereça o ultra-gostoso acepipe. No mesmo naipe estão também a sardinha, a saúna, a pilombeta, a agulha (essa é de matar…) e a cavalinha. Todos peixes ricos em ômega-3 e perfeitos para acompanhar uma cervejota escandalosamente gelada sorvida entre goles de uma octanada caninha. A melhor receita é a simples: eviscerados (ou melhor, tratados, como diz o povo), devem ser temperados com sal e limão e empanados com farinha de mandioca fina e fritos em óleo de boa têmpera. Há quem também prefira o revestimento à base de farinha de trigo, que deixa a piabinha empanada. Os de gosto estético mais apurado gostam de colocar os peixinhos formando uma rosácea no prato. Outros, gulosos, fritam-nos aos montes e comem-nos sofregamente como pequenas bolachas marinhas. Cada um com a sua maneira. Para mim, uma borrifada de limão por cima e vamos ao que interessa. Experimentem as piabas fritas servidas no restaurante do BNB – Clube. Juro-lhes, vale a visita. É engasga-gato barato e poderia ser encontrado em cada birosca desta Taba de Alencar se os taberneiros fossem tão sensíveis quanto os gatos que costumam rondar o ambiente, inebriados com o aroma que sobe da frigideira. Aliás, gastronomia, alta ou baixa, é a prova dos nove da sensibilidade.

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