Bar das Letras Reginaldo Vasconcelos

Aposta nova

O povo brasileiro fez uma aposta política na ministra Dilma Roussef, que foi eleita à presidência com base no aval do presidente anterior, Lula da Silva, dotado de credibilidade ilimitada. Por conta disso, desde a posse da nova presidente a sociedade está de pé, tensa, na expectativa, ansiosa para conhecer qual será a verdadeira índole do novo governo federal.

Embora indicada pelo presidente Lula, como pretensa continuadora de seu método de governo, todos sabemos que Dilma Roussef tem personalidade muito forte, de modo que não se sabe em que níveis essa  continuidade ocorrerá. Especula-se que o ex-presidente, agindo nos bastidores, na condição de eminência parda, vai monitorar as linhas de ação e influirá nas decisões mais importantes. Todavia, ninguém desconhece que o poder legitimamente conquistado inspira absoluta liberdade, mormente quando o seu detentor tem caráter libertário e imperativo.      

As diferenças objetivas entre as pessoas de Lula e Dilma são ainda mais gritantes, a começar pela origem geográfica, a história de vida, a formação, passando pelo gênero diverso, pois mulher e homem costumam ter estruturas psíquicas diferentes. Eles, geralmente mais focados em objetivos estanques, mais aptos a enfrentar desafios, a improvisar, a reagir às emergências; elas, mais sensíveis, mais  generalistas, menos impontuais, naturalmente mais eficientes na execução regular dos seus projetos para atingir metas seguras.

Lula da Silva, de presumível ascendência lusa ainda dos tempos da colônia, nascido na zona rural de Pernambuco e radicado no pólo industrial paulista.  Dilma, filha de imigrantes búlgaros, nascida na capital de Minas, transferindo-se depois para o Rio Grande do Sul. Ele, de escolaridade primária; ela, com formação superior. Ele, com origem política no sindicalismo operário, regular fundador do PT; ela, antiga militante na luta armada contra o regime militar.     

Pessoalmente espero que a nova presidente reúna as muitas virtudes do presidente anterior, entrevistas no seu carisma, no manifesto pacifismo, na preocupação com o social, na capacidade de articulação política, na absoluta obediência às políticas econômicas ortodoxas, consentâneas com a realidade mundial, livre de aventuras propostas por ideologias estatizantes, que expuseram outros povos a agudos sofrimentos, ou de ousadias neo-liberalizantes, que já fizeram sofrer os brasileiros.  

Mas anseio também que Dilma Roussef não repita os defeitos de Lula, quais sejam principalmente a excessiva tolerância com os aloprados do governo, que, denunciados pela imprensa, apanhados em ilicitudes indefensáveis, afastados dos  cargos e das gambiarras da mídia, no entanto permaneceram gravitando o poder oficial, tratados com o carinho e a reverência devida aos heróis da pátria tão-somente. Já basta à presidente ter que suportar herança política maldita que a obriga a dividir o poder com a escória da direita, gente que o país como um todo já julgou e condenou ao ostracismo, mas que se mantém na vida pública por meio da politicagem paroquial em seus estados.  

Principalmente se espera que Dilma Roussef recrudesça com o crime organizado, na linha do que foi feito nos albores do seu governo,  contra os bandidos da vila cruzeiro e do complexo do alemão, com a imprescindível ajuda de forças federais. Um governo democrático e de contornos socialistas não pode conviver com grupos irregulares que se dediquem sistematicamente a atacar a paz social e a  conturbar a ordem pública, por meio de atos violentos que visam predar a sociedade. Os povos mais evoluídos já entenderam que não há salvação fora da lei, à margem da ética, por meio da desobediência civil e do ataque ao patrimônio, pois o voto livre, a liberdade de imprensa, o direito de petição, as políticas sociais de governo e a sociedade legitimamente organizada são os únicos meios lícitos de se chegar ao bem comum.

Tenho dito!

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