Bar das Letras Paulo Roberto Coelho Ximenes

A Respeito dos Poemas que Fiz…

Embora seja a poesia a janela da alma, tem sido da alçada dos críticos literários a avaliação dos poetas e a classificação das suas obras por esse ou por aquele enfoque; e nisso, ao se escandirem rimas e versos, ao se esmiuçarem estilos e pontos-e-vírgulas, o que acabará por acontecer é a consagração de uns e a condenação de outros ao ostracismo, com alguma albarda para os poetas menores. Seriam os poetas menores aqueles que não obtiveram, no entender de outros, o luzeiro dos deuses intergalácticos da arte e da inspiração? É lícito se julgar um poeta? Na verdade, a sensibilidade de um homem se mistura à própria noção do infinito; ela provém  do brilho da estrela mais longínqua, e justamente por este fato, não há de vingar na terra uma só criatura apta a medir uma dor, ou a avaliar uma emoção.

 

Entretanto, admito a hipótese de que a empolgação tenha me induzido a tomar versos de assalto, com a mesma impetuosidade dos que, sem o lastro da musicalidade, atrevem-se a tocar violino. E aí, no pleno direito ao exercício da autocrítica, visto a carapuça que propriamente me cabe: rabisquei sim, grosas de versos às escâncaras no meu notebook. Alguns deles esbarrados na geometria implacável dos sonetos; outros banhados no meio-termo que o – nem tanto ao mar, nem tanto à terra – poderia suscitar. Há também os licenciosos e os selvagens como as onças pintadas: versos curtos, nus, disformes, gravitando em torno de idéias e de sentimentos imperceptíveis ao olho nu, e que se perderiam no oco do mundo – não fora a pujança de um pendrive. Por vezes, são afiados como o gume da guilhotina, noutras, devassos como um beijo – alavancados por impulsos ancestrais. Mas vem sempre ao meu encontro o que disse certa feita o iluminado poeta russo Vladmir Maiakovski (1893 – 1930): “Toda poesia é uma viagem ao  desconhecido”.

 

Uma coisa, entretanto, é certa: nenhum deles vai merecer uma estátua. Mas cada qual é parte de mim, e eu os valorizo justamente por isso.  São apenas meus versos, marcando territórios no chão da minha vida. E essa minha agarração pelos poemas, nem sei mesmo de onde veio; melhor seria eu atribuí-la ao atrativo e ao encanto das coisas mais simples e genuínas dessa vida, à necessidade perene das indignações, ao aluamento do amor, e às saudades e às lágrimas que vez por outra me assolam o caminho.

Paulo Roberto Coelho Ximenes

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