Bar das Letras Reginaldo Vasconcelos

A JUVENTUDE MELHORANDO A JUSTIÇA NEM TANTO

Meu companheiro na mesa de nº 01 do Bar das Letras, Flávio Menezes, traz uma reflexão interessante sobre a juventude atual, na sua crônica “Questão de Referência”, defendendo bravamente a dita “geração frango de granja”, essa rapaziada que, por alguma misteriosa razão sociológica, costuma atingir maior estatura física que a alcançada por seus pais.

Sim, já não é segredo para a estatística nacional que o povo brasileiro tem crescido nas últimas décadas, com as novas gerações galgando a fita métrica a olhos vistos, fenômeno cuja causa real eu, particularmente, desconheço. E eu concordo com o Flávio que os nossos meninos, além de mais caneludos e pescoçudos que nós, são muito melhores do que fomos, até porque, presumivelmente, o mesmo fator benéfico incógnito que lhes faz crescer excepcionalmente os esqueletos, deve influir para o crescimento do intelecto – embora alguém acredite que os garotos do passado eram melhores – exercendo a chamada “memória eufórica”, segunda a qual “não se fazem mais as coisas como se faziam antigamente”.

Melhor alimentação, que é a hipótese mais fácil de intuir, não acredito que seja a causa da evolução física e mental da mocidade, pois todos sabemos que no passado a alimentação era mais hígida, mais natural, livre da carga química usada hoje para expandir a produção. Antes se usava banha de porco na cozinha, que já se comprovou mais sadia que os óleos vegetais, artificialmente refinados e hidrogenados, acondicionados em recipientes de metal ou plástico que também liberam químicos – para ficar em um único exemplo.

Mas se quiserem outros fatos, eu lembro que nós comíamos muito mais frutas, muitas vezes colhidas com a mão, nos sítios e nos quintais daquele tempo, contra os hambúrgueres e as batatas fritas que hoje comem.  Meu falecido avô materno, assim como os meus velhos pais que ainda estão vivos, chegaram à velhice sem precisar de dentaduras – sem terem usado aparelhos nos dentes na sua juventude, sem terem feito aplicações de flúor no passado, sem disporem, ao longo da vida, dessas pastas e escovas de dentes que hoje “nove entre dez dentistas recomendam”, usadas por “nove entre dez estrelas de cinema”,.

Isso ocorria porque os antigos não consumiam açúcar refinado, não tomavam refrigerantes a toda hora, não utilizavam fármacos que reduzem o cálcio no organismo – e não precisavam atacar o esmalte dos dentes, várias vezes ao dia, com cerdas de nylon e abrasivos dentifrícios.

É verdade que minha avó materna extraiu todos os dentes de uma vez, ainda moça, todos eles sadios, por recomendação médica contra crises de enxaqueca. Também é verdade que hoje em dia não se fica mais banguela, pois os implantes dentários modernos substituem os dentes, até com certas vantagens sobre a dentição original.

Portanto, conclui-se que a ciência rudimentar de antes atrapalhava as boas condições de vida, enquanto a avançada tecnologia de hoje consegue corrigir os males modernos. Mas é fato que os meninos de outrora atiravam o pau no gato, e disso faziam uma brincadeira de roda, enquanto os de hoje não violentam os bichos e preferem preservar as plantas vivas, antes de convertê-las em objetos de agressão.

Também é verdadeira a observação que faz o Flávio em relação à melhor qualidade moral dos jovens que ingressam nas profissões judiciárias, em relação aos que nelas já militam há muito tempo, porém esse não é o melhor argumento da tese, pois aqui o autor não atenta para uma nova “questão de referência”. Dificilmente um profissional de qualquer área, em qualquer época, ingressa na carreira com ânimo de prevaricar. Todos entram puros, com a melhor das intenções, pretendendo fazer o melhor, imaginando consertar o mundo, mas muitos se corrompem depois, contaminados pelas “frutas pobres do cesto”, ou desencantados com as iniqüidades do sistema.

Vai mais longe ainda o autor, nesse particular, quando sita um processo judicial específico para ilustrar a sua crítica. Não é o método ideal, porque não se pode, nem deve, opinar sobre um caso jurídico concreto sem pleno conhecimento dos autos e sem domínio do Direito. Um juiz muitas vezes age forçado pelos ditames da lei, e com isso desagrada os interesses de uma parte, e às vezes toma uma medida exótica, em busca da melhor razão, ainda que a lei não o obrigue, e novamente a parte contrafeita o vai tachar de injusto e ímprobo. Então, não é por aí que a banda toca.

Mas, não estou defendendo o Judiciário como um todo. Há jovens advogados, filhos, genros, noras ou cônjuges de magistrados, de todas as instâncias, militando dentro da área de competência territorial de seus parentes julgadores, o que não é ilícito, mas deveria sê-lo, porque facilita muito o tráfico de influência, por troca de prestígio entre os juízes, seja para postergar os feitos dos clientes sem boa razão, seja para garantir o rápido deferimento de pleitos cujo direito seja bom – para não falar em venda de sentença, que é bem mais rara e bem mais grave.  

 

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