Bar das Letras Martiniano Bezerra Neto

A Internacionalização do “Retirante”

O ano de 1972 marcou definitivamente a vida do menino véi egresso do sertão cearense, a essa altura perfeitamente integrado a vida amazonense, participando ativamente do seu mercado de trabalho. Principal executivo de uma empresa produtora de massas alimentícias, (biscoitos, bolachas e macarrão), coincidentemente pertencente a alguns parentes dos donos da M.Dias Branco de Fortaleza, finalista do curso de Ciências Contábeis da “UA” Universidade do Amazonas, toma uma decisão talvez a mais importante de sua vida:

Pede a mão da portuguesinha que conhecera na noite em que festejava sua aprovação no vestibular, casa-se com ela  e seguem para Portugal em lua-de-mel, antes porém passam uma noite em Fortaleza, 18 anos depois de sua partida para o degredo, daí seguindo para Lisboa.

Recebidos no aeroporto pelo “tio”, tio da Deolinda residente na cidade de Queluz a uns 200 metros do Palácio de Queluz, onde reinou o nosso Pedro I como Pedro IV de Portugal.

O tio, como verão nesse e em outros escritos que por certo hei de dedicar-lhe, foi e é para mim um dos melhores amigos que a vida me proporcionou, recebendo-nos no aeroporto partimos em direção a sua casa, parando na primeira “tasca” no nosso caminho. Descemos do carro, ele  aproximou-se do balcão e pediu dois copos de vinho, um grande e um pequeno, me entregou o pequeno  e falou: Estou testando o teu fígado, vaticinando em seguida, passastes no teste, daqui pra frente os copos vão ser iguais e assim foi durante os próximos 30 dias.

Almoçamos em Queluz, seguindo para a cidade de Nazaré, cidade litorânea onde se encontrava de férias com sua família e mais um casal de amigos, alugaram um casarão reservando para nós um quarto contíguo ao quarto da vó Eugênia, avó da tia Hortense, nossa primeira noite em Portugal, provavelmente berço da concepção de nossa filha Fabíola, apesar da cama que o danado do tio nos reservou, ninguém podia mover um dedo que a danada rangia e rangia forte.

De manhã cedo, à mesa para o (pequeno almoço), gozação total, todos falavam não ter conseguido dormir com o barulho insuportável de nossa cama, a pobre da vó Eugênia nossa vizinha de quarto, então… Depois de algum tempo na berlinda, e muito rubor na face, além de justificativas do tipo: Tio, não se podia mexer uma perna!!!

Finalmente o tio fala… meus filhos, é tudo brincadeira, a cama foi preparada e a única pessoa que poderia ter ouvido algum barulho seria a vó, mas fiquem tranqüilos a vó é surda.

Começou assim a nossa visita a Portugal, viagem que me encantou profundamente, o contacto com o velho mundo, visita a alguns castelos medievais como por exemplo o da cidade de Leiria, Convento de Mafra, onde vivia D. João VI por ocasião da fuga para o Brasil. Maravilha, o caipira voltará para falar do que fez e viu por terras lusitanas.

 

Martiniano Bezerra Neto

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