Bar das Letras Dejoces Baptista Júnior

A Gia

Bonito para chover, velhos deuses esquecidos atiçam relâmpagos e trovões exigindo a atenção dos mortais, ameaçando-os com o serpentear de coriscos. O cinza cinzento das nuvens abarcou o mundo.

Profetas da chuva não sabiam dizer se a tempestade era obra de São José. Avacalhando Poseidon, papudins velejavam em câmaras de pneu entre destroços domésticos no canal do Benfica. Bebendo Nêga Fulô e tomando banho de chuva em boca de jacaré, Professor Arak mais o compadre Chiquinho e seu cunhado Riva ganharam dos papudins uma gia de compleição taurina e negror de pantera.

Instruído por Riva, sob o olhar de medo menos que de nojo de Chiquinho, Arak degola a gia com uma serrinha de pão. A cabeça sem corpo espargia o ar tal e qual orador em academia de letras enquanto o corpo sem cabeça, em saltos olímpicos, botou para correr o trio. Finalmente esquartejada, temperada e frita, a gia rendeu aos amigos mais duas garrafas de Nêga Fulô.

O céu chorando, toda pedra no caminho é alegoria para Arak que foi dormir chovendo.

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