Estamos aqui nesta terça feira, 16/02, com nosso convidado Reginaldo Vasconcelos, advogado e jornalista, para uma entrevista onde ele vai falar sobre a criação da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, dentre outros assuntos. Presentes pela equipe do PBV, Altino Farias, Attila Vasconcelos e Roberto Vasconcelos. Presente também nosso convidado especial Adriano Vasconcelos.


PBV- Nós o convidamos a propósito da instalação da ACLJ. Gostaríamos que você, como idealizador da entidade, falasse sobre seus objetivos, qual o diferencial em relação a outras e o que lhe motivou a fazer acontecer esse projeto.

RV – Em primeiro lugar quero agradecer a deferência em participar desse trabalho jornalístico que vocês fazem na internet e registrar que é a primeira vez que sou entrevistado. Como repórter já entrevistei a Xuxa, o Clodovil, a Alciione, dentre outras personalidades, mas como entrevistado é a primeira vez. É uma experiência nova para mim.

PBV – É, sempre tem a primeira vez...

Pois bem. O Ceará tem uma tradição secular na criação de academias literárias. Desde uma primeira Academia Francesa, que copiava mesmo uma academia francesa. Depois tivemos a Padaria Espiritual, que era uma coisa mais descontraída, uma brincadeira. Eles proibiam o ingresso de alfaiates.

E mais: tinham raiva deles e de policiais. Exigiam que o “padeiro”, como eram chamados seus membros, se apresentassem sempre bem vestidos, por isso a raiva dos alfaiates, pois se achavam explorados por eles.

Depois veio a Academia Cearense de Letras, fundada por Tomás Pompeu de Sousa Brasil três anos antes da sua congênere, Academia Brasileira de Letras, fundada por Machado de Assis. A nossa foi em 1894, a ABL, em 1897.

Depois a Academia sofreu um certo abandono, e em 1922, quando contava com apenas oito membros, foi revitalizada por Justiniano de Serpa. Hoje há muitas academias no País, e uma dúzia neste Estado, sendo as mais notórias, além da Academia Cearense de Letras, a Academia Cearense de Língua Portuguesa e a Academia Cearense de Retórica. E o que são essas academias no Brasil? Locais para onde você convida os luminares, pessoas que estão em fim de carreira, que já têm uma obra feita. Estão lá para serem homenageados.

Academia é um termo que vem da Grécia Antiga e era um local onde se reuniam os mestres e seus discípulos. Era um local de aprendizado, transferência de conhecimento, incremento da cultura, da sabedoria e da virtude. Esse mesmo termo ainda conserva a semântica antiga quando se refere à universidade.

A nossa Academia tem esse diferencial. A idéia é conservar o classicismo antigo. Vamos ter as vestes talares, solenidades. Mas modernizamos. Incorporamos a literatura ligeira. A crônica, o conto, a reportagem... Eles encontravam a literatura apenas no romance, nos livros mais graves. Ora, naquele tempo o livro era a única forma de difusão do conhecimento. Hoje temos a grande mídia e temos que encampar isso. Literatura não pode ser só o livro físico. Então esse pessoal fica lá cultivando Machado de Assis, Eça de Queiroz, mas temos que abrir para outras formas de comunicação, sem nenhum demérito para o pessoal que faz uma literatura mais alentada. E quando você abre para a crônica, o conto, o ensaio, você abre para o jornalismo, por isso Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. E teremos uma Academia com pessoas jovens, e não só com os luminares, mas também novos valores, talentos e revelações. Isso vai dar mais dinamismo, vai estar na mídia, cultivando novos valores, novas publicações. Esses são os diferenciais que a gente imagina para a nova Academia.

PBV (Comentário de Altino)- Nesse ponto quero agradecer o convite que você me fez para participar da nova Academia, acredito que pela edição do veículo alternativo que é o Pelos Bares da vida, um jornal virtual, que me deu visibilidade.

RV- Eu não convidei você para fazer favor. Convidei você porque é um excelente cronista e eu sou apaixonado por crônicas. É um cara que domina o português. Costumamos trocar idéias sobre gramática e filológia... Vocês bebem com ele, mas não sei se sabem (dirigindo-se aos demais entrevistadores), esse cara domina o idioma. Além de engenheiro civil, é engenheiro do idioma.

PBV – Mas os primeiros convites... Você começou a idealizar dessa forma, como uma coisa dinâmica, não uniforme, com pessoas vivendo várias situações diferentes em relação à profissional e atuação nas letras... como é que se deu esse processo inicial de formação do corpo da nova Academia?

RV- Sempre me incomodou que as Academias sejam passivas, e mais, que sejam compostas por critérios políticos. Convidam pessoas que não têm méritos literários, mas são pessoas influentes e populares. Isso me incomodava. Acontece nas academias de outros estados e acontece aqui também.

E foi de repente. Eu tive um insite vendo suas crônicas (em referência a Altino). Você, como tantos outros, deveria participar de entidade ligaao à literatura, mas nunca iria ter chance. Então pensei: por que a gente não forma nosso próprio grupo? Pensei muito inicialmente em ti, pensei no Arnaldo Santos, que é um jornalista muito aplicado. Ele ficou meio cético, brincando, me chamando de imortal, mas aos poucos, ele foi vendo que eu estava falando sério. Chamei também o Rui Martinho, que é um intelectual de peso. Advogado, formado em filosofia, professor de história política, é uma figura magnífica... E o grupo foi se formando. O Rui é o decano do grupo e foi aclamado o primeiro presidente da entidade, que logo que instalada promoverá uma eleição democrática para eleger uma nova diretoria. O Altino foi aclamado secretário Geral, que é o vice-presidente na prática. O estatuto foi elaborado com base em outros similares que pesquisamos. E no dia 04 de maio faremos a instalação formal da ACLJ, cuja solenidade será na sede da ACI, até por exigência da jornalista Ivonete Maia, presidente da entidade, que ficou muito honrada em participar do nosso grupo. É dela a cadeira Nº 02.

PBV – Essa era uma idéia antiga sua?

RV – Não, foi um estalo. De repente eu digo: por que não? Por que a gente não chama o Altino, o Arnaldo, o Dórian... e fui pensando nas pessoas ligadas à parte editorial, e a coisa funcionou. Falei com o Cid Carvalho, que participa de outras academias para nosso Presidente de Honra. Outro dia ele contou que quando foi convidado para integrar a ACL disse que não tinha capacidade, ora... Precisaram insistir... Ele é um dos poucos grandes valores de nossa intelectualidade. Tínhamos o Eduardo Campos, falecido recentemente, poeta, escritor, dramaturgo, orador magnífico. Eduardo Campos era e representante dos Diários Associados no Ceará, era a pessoa do Chateubriant, e eu o escolhi, inclusive, como patrono da cadeira que vou ocupar, a de número 20. Quando procuramos o Cid oferecemos a ele a cadeira Nº 01, cujo patrono é o pai dele, o poeta Jáder Carvalho. Convidei também Antonino, filho de Cid e meu amigo de infância, e estamos já com umas trinta pessoas confirmadas.

Convidei o Hermann Hesse, que era editor de jornalismo do sistema Verdes Mares e com quem eu me correspondia por email, enviando críticas construtivas e tal. Ele é um jornalista que veio de baixo, como repórter, e quando o convidei ele perguntou por que, e eu respondi: queremos valores jovens da imprensa, que tenha bom texto. E por um acaso ele foi convidado para ser diretor da TV Assembléia nesse meio tempo. Veio de família simples de Tauá, mudaram-se para São Paulo, onde ficou por 10 anos. Voltou, foi morar na casa de uma tia para estudar jornalismo. No começo topava qualquer pauta. Cresceu por mérito.

Ai ele chega e diz: “Reginaldo, será que a gente podia convidar o Roberto Moreira, que é diretor da TV Diário?”. “Claro”, respondi, “Ele é um cara muito conceituado no meio. Fala com ele, se ele quiser... Vou reunir o pessoal e levar a proposta. A coisa foi tomando corpo e a ACLJ vai se tornar um fórum permanente da imprensa local, porque pessoas de nível e de grande destaque estão vindo formar com a gente. É importantíssimo.

PBV – A título de curiosidade, qual foi o critério para definir a numeração e os patronos das cadeiras? Quem senta onde?

RV – A gente definiu que as cadeiras de 01 a 10 caberiam a pessoas de maior destaque. O pessoal que a gente denomina em nosso estatuto de “membros eméritos”, que vem nos honrar, nos ensinar alguma coisa. Da Nº 11 em diante não há nenhum critério de importância. Os primeiros puderam escolher seus números e patronos. Eu mesmo, que idealizei a Academia, fiquei com a cadeira de Nº 20.

PBV – Quantos membros são ao todo?

RV – São 40. Vamos instalar a Academia com 30 e sobre os outros 10 nomes todos terão oportunidade de opinar.

PBV – E a questão do patrono?

RV – O patrono é da cadeira. Engraçado que na Academia de Odontologia, que é uma academia profissional, quando o membro atinge 75 anos ele se torna patrono de sua própria cadeira e assim vão mudando os patronos, com o que eu particularmente não concordo.

PBV – O patrono é perpétuo e os ocupantes da cadeira vão se sucedendo ao longo do tempo, não é assim?

RV – Isso, e como fomos os primeiros, tivemos o privilégio de escolher nossos patronos. Por exemplo, quando convidei o Hermann Hesse havia indicado o Astrolábio Queiroz como patrono, mas ele me pediu para indicar um diretor de TV com quem trabalhou e faleceu num acidente automobilístico que sofreram juntos... Não tem problema, vamos homenagear essa pessoa...

PBV – Interessante esse sentido de participação, pois o convidado, no caso Hermann Hesse, poderia se sentir constrangido em falar sobre isso e, no entanto, ele pareceu bem à vontade. Há que se preservar esse espírito na Academia.

RV – Curioso que no grupo há alguns advogados, todos ligados ao texto e a obras jurídicas. O Rui Martinho, que também é advogado, sugeriu o nome do Cândido Albuquerque, um grande advogado. Inicialmente eu enumerei duas razões para não convidá-lo. Primeiro ele é um grande causídico, mas, que eu soubesse não era um intelectual. O causídico quer ganhar a causa e tem dificuldade para absorver o pensamento alheio. Em segundo lugar, ele não é cearense, é piauiense. Mas eis que ele e Rui Martinho foram agraciados pela publicação de um texto jurídico escrito por eles a quatro mãos. O texto foi publicado numa revista jurídica nacional, que na verdade é um livro. Coisa importantíssima. Então eu disse ao Rui “eu vou evoluir em meu pensamento”. Como o estatuto ainda estava em formatação, passamos a admitir na Academia cearenses ou radicados no Ceará, que é o caso do também convidado advogado Djalma Pinto, que é paraense.

A propósito, interessante um fato que o Cândido me contou, quando lhe levei o convite para participara da Academia. Ele foi condecorado com o título de como Comendador do Piauí, comenda criada por lei que condecora os piauienses que se destacam fora do Estado. Os que se destacam lá mesmo não têm direito a recebê-lo.

PBV – E qual a situação da ACLJ? Hoje ela já existe?

RV – A ACLJ está inaugurada. Para registrar os documentos em cartório e obter o CNPJ, exige-se apresentar estatuto e ata definindo seus dirigentes. Então fizemos uma reunião inaugural, o Estatuto foi discutido, uma diretoria foi designada pelos presentes, registramos esses fatos em ata a qual todos assinaram.

Paralelamente eu venho diplomando os convidados. Diplomando as pessoas, tiramos a Academia do pensamento e transformamos em alguma coisa tátil e visível. Temos um diploma assinado pelo Presidente, chancelado, com marca d’água feito em São Paulo. Quando eu entreguei ao cândido Albuquerque ele observou que a qualidade gráfica do diploma dele de doutorado não chega aos pés do nosso... (risos)

Inaugurada, registrada formalmente, diplomadas as pessoas, aí vem a instalação. A cerimônia vai ser na ACI, vai haver um coquetel depois. O prédio foi recentemente reformado, tem um belo plenário e um terraço na cobertura. O prédio foi construído por jornalistas e inaugurado por Perboeyre Silva, que inclusive foi presidente da ACI, e é o patrono da Ivonete Maia, que está muito animada em participar da Nova Academia.

PBV – Mudando de assunto, como anda a questão da exigência de diploma específico para exercer a profissão de jornalismo?

RV – A classe jornalística perdeu sua identidade porque o STF entendeu que não é mais necessário registro profissional de jornalista para exercer a atividade. Com o advento da faculdade de jornalismo a lei passou a exigir diploma para se militar na imprensa. Os que já vinham exercendo o ofício conseguiram seus registros por direito adquirido.

Houve uma abertura, com base em liminares concedidas a pessoas que de algum modo exerciam atividades na imprensa e queriam o seu registro. Os sindicatos investiram contra essa liminar e o assunto foi bater no STF, tendo efeito contrário, pois o Tribunal julgou que a exigência de registro restringe um direito constitucional, que é o da liberdade de expressão. Agora cabe à empresa jornalística exigir ou não o diploma de seus contratados.

Com a classe jornalística desprestigiada, alguns sugeriram que poderia haver alguma represália à nova Academia, por envolver jornalistas não sindicalizados. Mas, ora, a ACLJ é uma academia literária, não é profissional, nem é jornalística. Ela inclui toda a literatura ligeira, daí entrar a reportagem e o documentário. A internet, aliás, acabou de vez com essa reserva de mercado. Você pode ser o cara mais lido do Brasil, sem ser jornalista.

PBV – É complicado, ou muito caro, editar um livro? A ACCLJ visa também se tornar um veículo facilitador para pessoas de valor, fazendo parte da Academia ou não, que têm um trabalho a ser publicado, mas não tem meios para tal?

RV – Isso é um drama sério. Já fiz seis livros e toda vez que faço um lançamento vem alguém dizendo que tem um livro pronto na gaveta e perguntando como é que faz para publicar. A pessoa tem que ter garra para fazer. Tem um custo e as editoras só financiam aqueles que têm possibilidade de venda. Você tem que custear 1000 exemplares, por cerca de R$ 5.000,00, vender uns 200 no lançamento ficando o resto da tiragem para agraciar os amigos ao longo do tempo. É uma coisa meio ingrata, embora seja sempre um grande prazer publicar livro.

Num dos meus livros, fiz uma dedicatória a uma colega. Muito tempo depois recebi uma carta de um oficial da marinha do Rio de Janeiro (ainda não era época de email) dizendo ter encontrado um livro meu molhado numa janela... Mantivemos contato... Então a gente sente o livro ganha pernas.

PBV- E o caso do ministro Ayres Britto, como foi?

RV- Ele era na época Presidente do STE, e me surpreendeu. Ele é também poeta, intelectual... Eu lhe enviei um livrinho que fiz, chamado “Eutimia, a Felicidade Essencial”, e aí tive uma surpresa monstruosa. No livro tinha meu telefone residencial, e certo dia me ligaram de casa dizendo que ele havia me ligado e que ligaria para o meu celular. Eu estava em um hospital nesse momento, acompanhando um amigo enfermo, e fui para o hall da escada em busca de silencio. O Ministro me ligou, conversamos longamente, não sei precisar quanto tempo, mais foi um longo bate-papo. Eu lhe disse: “Ministro, eu estou honrado com sua ligação”. E ele: “Esse seu livrinho só é pequeno no tamanho. Eu ia dizer que você é inteligente, mas vou dizer mais, vou dizer que você é sábio”. Isso não significou que eu tivesse demonstrado conhecimentos vastos, mas referia ele às reflexões filosóficas inusitadas contidas no livro. Ele disse ainda: “ Olha, esse livro é muito original, porque tem idéias novas...”

Realmente eu tenho pouca leitura de filosofia. O sujeito se forma em filosofia e o que ele é? Conhecedor dos filósofos, das filosofias dos outros. Eu, jejuno em filosofia clássica, filosofo no livro sobre o que eu acho que é felicidade, e o Ministro Britto, que é muito culto, que deve ter lido todos os pensadores gregos e alemães, ficou de me mandar um comentário dele sobre a obra. Nunca o fez, e eu cobrei por email. Ele me mandou um bilhete manuscrito escaneado dizendo que eu esperasse. Esse bilhete eu publiquei fazendo as vezes de prefácio. Esses são os fatos.

PBV – A gestação da Nova Academia, como se deu? Vocês se encontravam para tratar do assunto? Onde? Iam ao escritório de alguém com ar condicionado e secretária a servir café?

RV – Eu tenho um espaço em minha casa que chamo de Tenda Árabe. É um espaço rústico que fica junto ao tronco de um pé de cetro da minha idade, que morreu há algum tempo. Esse nome eu copiei do Artur da Távola, jornalista, deputado, senador, conhecedor de música. Esse sujeito namorou uma parenta minha no Rio, ela era filha de um ministro, e ele um jovem jornalista na época.

Anos depois, ele já senador, enviei-lhe um email, identifiquei-me, nos tornamos correspondentes diários pela internet, ao ponto de eu ir ao Rio conversar com ele. Ficamos muito amigos. Na casa dele havia um espaço de trabalho que ele chamava de Tenda Árabe. Então, por cópia mesmo, e em citação a Artur da Távola, eu chamo esse meu espaço com o mesmo nome.

Lá recebo os amigos para almoçar aos sábados. Então eu comecei a atrair pessoas para lá, para lhes inocular esses pensamentos. Isso vai ficar marcado na história da fundação da Academia. As idéias básicas na nova Academia nasceram realmente na Tenda Árabe. Inclusive durante a primeira dessas reuniões, um dos jornalistas listados para integrar o grupo, Rodolfo Espínola, faleceu em acidente automobilístico. Estávamos lá quando recebemos a notícia. O fato encontra-se registrado na ata da reunião desse dia.

PBV- Queremos deixar registrado que acabamos de receber um telefonema do Luciano Osório, nosso webmaster, comunicando que o novo site do PBV está no ar. (brinde)

Altino – Eu participei de praticamente todos os encontros na Tenda Árabe nesta fase em que se maturou as idéias da Nova Academia. O papo foi sempre gostoso e muitas vezes, já tarde, todos quase bêbados, alguém perguntou: “Sim, e a Academia?”, porque a idéia desses encontros era mais fortalecer laços entre nós que discutir estatutos e, formas, coisas que já estão feitas agora...

RV- É, você não consegue dissociar a intelectualidade da boemia. São intrínsicamente ligadas. Intelectuais e literatos normalmente são bons copos, gostam de vinho...

Robson – E por que, heim? (risos)

RV – São bons, são anjos, têm vida interior...

Robson – E a idéia flui mais?

RV – Flui, Gilberto Gil tem até uma opinião sobre isso, e vai mais além... Mas um ponto que eu quero frisar é que a nova Academia sempre procurará tratar e sedimentar opinião sobre assuntos que envolvam o idioma e o mundo literário. Por exemplo: a censura que se tenta fazer a Monteiro Lobato sobre expressões hipoteticamente racistas utilizadas pelos seus personagens. Vamos debater isso e definir um pensamento a respeito, e divulgar ao Ministério da Cultura, dizendo o que a Academia pensa sobre o assunto. Outro exemplo é a utilização correta dos termos presidente ou presidenta. Assunto interessante também ao debate é a recente reforma ortográfica.

PBV – Estamos encerrando essa entrevista em que falamos um pouco de Reginaldo, um pouco da nova Academia e um pouco sobre biritologia. O PBV lhe agradece pela participação, agora nessa nova fase, mais dinâmico, mais voltado para a cultura.

RV – Ficamos mutuamente gratos, então.

Attila – Eu estou muito feliz em estar aqui com Reginaldo, meu primo, e também porque fui eu quem o apresentou a vocês, dando oportunidade a formação dessa grande amizade.

... Risos, brindes, brincadeiras, e a conversa continuou em off por mais algum tempo.

Observação: A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo foi formalmente instalada em 04 de maio de 2011 em solenidade na sede da ACI – Associação Cearense de Imprensa.